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mandag 8. mars 2010

7 meses depois...



Óia, só... num há di vê qui sete meses depois a menina tá tenu choque cultural, minha gente?!

Pois é... e ele veio com força total pra sacudir as estruturas e me fazer querer sumir daqui sem deixar rastro! Arre égua...

E isso me deixa HIPER frustrada, porque de acordo com as aulas no Hald e os livros que estudei sobre o assunto, eu deveria ter "entrado em choque cultural" em novembro, pois agora que estou prestes a ir embora, já devia estar entrando na fase de adaptação e re-ajuste à nova cultura. (Traduzindo: depois de muito resistir você finalmente se adapta à nova cultura, nem acha que as pessoas são tão loucas assim e percebe que vai sentir saudades do país quando voltar pra casa).

Sei que cada pessoa reage de uma forma diferente e algumas nunca se adaptam e acabam voltando pra casa antes de entrar em colapso por causa do choque cultural (felizmente, acho que esse também não é o meu caso, ufa!)Mas o fato é que parece que comigo aconteceu tudo ao contrário: desde que cheguei eu me esforcei pra me convencer de que tava tudo bem, fiz questão de colocar os meus protestos interiores de que algumas coisas não iam nada bem no modo silencioso (sem vibracall) e fiz um bom trabalho ignorando as chamadas perdidas. Até agora.

Pois é gente, tudo que é bom dura mesmo muito pouco, toda mentira tem pernas curtas e toda verdade mascarada um dia perde a máscara e a roupa também, deixando o usário com a cara exposta e completamente nu.
C`est la vie...

E o que é pior é que quando a gente tenta mentir pra gente mesmo parece que a desilusão é ainda pior no final. Mas enfim, não quero mais um post super melo-dramático à La Maria do Bairro, tô tentando tirar um pouco do drama desnecessário da minha vida (hmm, séra? hihi).

Voltando ao assunto, "sei que nada sei", mas o que desconfio que aconteceu foi o seguinte: eu tive várias frustrações nos meus relacionamentos inter-pessoais desde o primeiro momento que coloquei meus pezinhos pra fora do Hald, mas me neguei a admitir isso com todas as minhas forças!


Daí sempre que alguém me desapontava e eu começava a deixar a tal idéia da "frieza nórdica" ocupar meus pensamentos, já ia logo fazendo um hiper esforço pra me lembrar das carinhas gentis, das dicas super úteis pra eu sobreviver no inverno, dos convites que recebi para comer middag (principal refeição do dia) na casa de alguém que ainda nem me conhecia, do interesse que eles demonstravam pelo meu bem-estar e etc... Eu simplesmente não conseguia conceber a idéia de "frieza" em pessoas tão fofas e cuidadosas, principalmente depois de um primeiro contato tão amigável no Hald com os estudantes noruegueses.

De fato, as pessoas que eu tive o privilégio de conhecer aqui são fofas e cuidadosas. Eu penso até que é impossível ter um país no mundo em que as pessoas sejam mais fofas que a Noruega, (até musiquinha pra agradecer pela comida eles cantam, muito bonitnho...) Mas o tão falado individualismo é grande demais! (Sem querer generalizar porque as pessoas têm suas peculiriaridades e as personalidades são muito diferentes mesmo dentro de uma mesma cultura.)

Comparar a nossa cultura em relação à cultura que está nos recebendo não ajuda muito no momento em que essas frustrações acontecem. Porque a gente só lembra das coisas boas da nossa cultura e só pensa nas coisas ruins da cultura nova, daí isso resulta em choque cultural em algum momento.

O fato é que eu me surpreendi no último final de semana implicando até com o jeito de eles falarem, socializarem, se divertirem, cumprimentarem e etc ... Passei o culto inteiro no domingo criticando a formalidade e o jeito como eles louvam a Deus, fiz mais de 19 críticas mentais à "imaturidade espiritual da maioria esmagadora das pessoas aqui" (como se eu fosse a maturidade em pessoa) e até o inverno, que antes me agradava tanto, começou a dar nos nervos! Eu tava a ponto de amaldiçoar a neve, (como Jesus fez com a figueira que ressecou) pra ver se ela derretia e o sol começava a brilhar de maneira própria! ("Porque no meu país o sol brilha de verdade, não é esse brilhinho opaco que nem aqui naum, haan!") Nem o sol, que não ilumina direito e não esquenta escapou da minha fúria avassaladora. Pra vocês verem o quanto eu estou sendo razoável e racional...

Ok, exageros e piadinhas à parte... eu percebi que preciso de mais equilíbrio na minha vida. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, como dizem por aí. Preciso aprender a ser honesta e a parar de fingir que tá tudo bem quando tá tudo muito mal!!Preciso entender que quase tudo nessa vida possui defeitos e qualidades (e isso vale para o meu país que está há anos-luz de ser o lugar mais maravilhoso do mundo)e o fato de que as pessoas enxergam a vida e os relacionamentos de forma diferente de mim não significa que elas estão me rejeitando. Já passou da hora de eu superar essa síndrome de rejeição.

E principalmente, passou da hora de eu aprender a perdoar! Eu percebi que sob a mentira mais cabeluda do mundo de que "não consigo guardar rancor" eu comecei a encher um copinho de mágoas e ressentimentos em relação à todas as pessoas que amo. Então, quando alguém faz algo que me magoa, eu nunca admito, nem pra mim mesma. Por isso é óbvio que a pessoa também nunca fica sabendo. Daí o tempo passa, a poeira abaixa, a gente pensa que tá tudo bem, mas o copinho tá enchendo e as ervas daninhas tão sendo plantadas no relacionamento. Daí a importância da honestidade, de falar pras pessoas como eu estou me sentindo. Porque é com honestidade que se constrói relacionamentos verdadeiros e sem o perdão constante eles estão fadados ao fracasso.

Mas voltando ao assunto do choque cultural, sei que tenho feito caricaturas dos noruegueses (positivas e negativas) desde que cheguei aqui e agora que percebi isso talvez consiga fazer uma leitura menos distorcida deles antes de voltar pra casa, o que também vai me ajudar a fazer uma leitura menos distorcidada e parcial de casa quando eu estiver de volta.

Como disse, não tem sido nada fácil. Mas, tô em paz porque tô aprendendo muito sobre mim e vejo que até meus relacionamentos no Brasil estão começando a ser restaurados nos pontos em que estavam se partindo. Deus é bom!

2 kommentarer:

Jan Arne sa...

Interessant! Godt at du er ærlig med både deg selv og andre om hvordan du opplever Norge og hvordan du føler det:) Det er viktig!

Mônica sa...

Vc falou, falou, falou, mas não falou o que exatamente aconteceu pra fazer vc pensar desse jeito de repente!
Me deixou curiosa, sua feiosa! :P
Depois quero saber! Hahahaha!